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Vacina gato V4 ou V5? Diferenças, V3 e calendário

Equipe Família de Pata · Revisão veterinária pendente · Atualizado em

Na hora de vacinar o gato, a dúvida mais comum é entre V3, V4 e V5. O número indica quantas doenças a vacina cobre, e a melhor escolha depende da rotina do seu gato. Aqui você entende o que cada uma protege e como costuma ser o calendário.

EM RESUMO

  • A V3 protege contra as três doenças consideradas essenciais para todo gato: panleucopenia, rinotraqueíte e calicivirose [1].
  • A V4 soma a clamidiose. A V5 soma também a leucemia felina (FeLV) e pede teste de FeLV antes da aplicação [3].
  • O filhote toma várias doses até 16 semanas ou mais, com reforço por volta dos 6 meses. Depois disso, o intervalo depende do risco de cada gato [1][2].

O que cada vacina protege

V3: a base para todos os gatos

A V3 (também chamada de tríplice felina) protege contra três vírus: o da panleucopenia, o herpesvírus felino tipo 1, que causa a rinotraqueíte, e o calicivírus. A WSAVA, associação mundial de veterinários de pequenos animais, considera essas três vacinas essenciais para gatos em todas as partes do mundo [1].

A panleucopenia é uma doença viral grave, muitas vezes fatal e muito contagiosa. Atinge principalmente filhotes com menos de 5 meses, e o vírus pode permanecer no ambiente por mais de um ano [6]. Por isso, mesmo o gato que nunca sai de casa precisa dessa proteção.

Contra herpesvírus e calicivírus, a WSAVA lembra que a imunidade da vacina é só parcial [1]. A vacina ajuda muito, mas não substitui outros cuidados, como evitar contato com gatos doentes.

V4: inclui a clamidiose

A V4 cobre as mesmas doenças da V3 e acrescenta a clamidiose, causada pela bactéria Chlamydia felis. Segundo o ABCD, grupo europeu de especialistas em doenças felinas, a infecção passa por contato próximo entre gatos, provoca conjuntivite e a maioria dos casos acontece em gatos com menos de 1 ano [4].

Essa vacina não é considerada essencial. As diretrizes a indicam principalmente para casas com vários gatos e histórico da doença, e lembram que a proteção é incompleta [1][2].

V5: inclui a leucemia felina (FeLV)

A V5 protege contra rinotraqueíte, calicivirose, clamidiose, panleucopenia e leucemia felina, como descreve a bula de uma das vacinas disponíveis no Brasil [3].

A WSAVA considera a vacina de FeLV essencial para gatos com menos de 1 ano onde a doença ocorre, e também para adultos com acesso à rua ou que convivem com gatos que saem [1]. A AAHA e a AAFP, entidades americanas, também a tratam como essencial até 1 ano e como opcional para adultos de baixo risco [2].

Tabela comparativa: V3, V4 e V5

V3V4V5
PanleucopeniaSimSimSim
Rinotraqueíte (herpesvírus)SimSimSim
CaliciviroseSimSimSim
ClamidioseNãoSimSim
Leucemia felina (FeLV)NãoNãoSim
Teste de FeLV antesNão é pré-requisitoNão é pré-requisitoRecomendado [3]
Costuma fazer sentido paraTodo gato, como baseCasas com vários gatos e histórico de clamidioseFilhotes e gatos com acesso à rua ou contato com outros gatos

A última linha é um ponto de partida para a conversa. A escolha final é do veterinário, depois de entender a rotina do seu gato.

Por que fazer o teste FIV/FeLV antes da V5

A vacina não trata um gato que já tem FeLV. Por isso, só gatos negativos devem receber essa vacina [1], e a própria bula recomenda o teste de antígeno antes da aplicação [3].

A AAFP recomenda testar para FeLV e FIV (o vírus da imunodeficiência felina) assim que o gato chega à casa, antes de vacinar contra esses vírus e sempre que ele adoecer [5]. Na prática, muitos veterinários aproveitam a mesma coleta para os dois testes.

Um resultado negativo logo depois de uma exposição pode não ser definitivo. No caso da FIV, a orientação é repetir o teste 60 dias depois [5]. Se o seu gato foi resgatado da rua, conte isso ao veterinário.

Calendário do filhote

O esquema exato depende da vacina e do veterinário, mas as diretrizes seguem uma lógica parecida [1][2]:

  • Primeira dose: entre 6 e 9 semanas de vida, conforme a vacina [1][6].
  • Doses seguintes: a cada 2 a 4 semanas [1].
  • Última dose da série: com 16 semanas ou mais. Antes disso, os anticorpos que o filhote recebeu da mãe podem atrapalhar a resposta à vacina [1][2].
  • Reforço: por volta de 26 semanas, ou 6 meses, em vez de esperar até 1 ano [1][2].
  • FeLV: duas doses com intervalo de 3 a 4 semanas, a partir de 8 semanas, depois do teste negativo [2][3].
  • Clamidiose, quando indicada: primeira dose por volta de 8 a 9 semanas e a segunda de 2 a 4 semanas depois [1].

Para não perder nenhuma data, você pode usar o calendário de vacinas grátis da Família de Pata. Ele tem versão em PDF para gatos e lembrete no WhatsApp.

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Gato adulto: os reforços dependem do risco

Gato de apartamento

A WSAVA classifica como baixo risco o gato que vive sozinho, dentro de casa, e não frequenta hotéis ou gatis. Para ele, as diretrizes sugerem reforço das vacinas essenciais a cada 3 anos ou mais [1]. A AAHA e a AAFP indicam intervalo parecido para as vacinas injetáveis de panleucopenia, herpesvírus e calicivírus [2].

Gato com acesso à rua ou contato com outros gatos

Gatos que saem, convivem com muitos gatos ou ficam em hotel com frequência têm mais risco. Para eles, a WSAVA admite reforços de herpesvírus e calicivírus até uma vez por ano. Antes de uma hospedagem, pode ser indicada uma dose de 1 a 2 semanas antes [1]. Nesses casos, a vacina de FeLV também costuma entrar no protocolo [1][2].

Diretriz e prática no Brasil

Aqui, o reforço anual é comum, e as bulas brasileiras costumam indicar revacinação anual [3]. As diretrizes internacionais, por sua vez, abrem espaço para intervalos maiores nos gatos de baixo risco [1]. As duas coisas convivem. Quem define o protocolo do seu gato é o veterinário, considerando a vacina usada, a rotina do animal e a sua região.

Se o seu gato foi adotado e você não sabe o histórico, as diretrizes indicam aplicar as vacinas essenciais [2].

E a antirrábica?

A raiva não entra na V3, V4 ou V5. Ela é uma vacina separada. Onde a raiva ocorre, a WSAVA recomenda vacinar todos os gatos, mesmo quando a lei não exige [1]. A idade da primeira dose e o intervalo dos reforços seguem a bula do produto e as regras locais [1][2]. Veja os detalhes no artigo sobre antirrábica em cães e gatos.

Cada dose aplicada, inclusive a antirrábica, deve ficar registrada. Saiba o que precisa constar na carteirinha de vacinação pet.

Quando ir ao veterinário: procure atendimento logo se o filhote tiver febre, ficar apático, parar de comer, vomitar ou tiver diarreia, porque na panleucopenia a desidratação pode ser rápida [6]. Olho vermelho, piscar muito ou manter o olho fechado também pedem consulta [4]. Leve ao veterinário ainda o gato recém-adotado, para testes e plano de vacinas.

Como decidir com o veterinário

Leve para a consulta algumas informações simples: se o gato sai de casa, se convive com outros gatos, se vai a hotel e se já teve contato com gatos de rua. Com isso, o veterinário escolhe entre V3, V4 ou V5, decide sobre o teste e monta o calendário.

Vacinas, testes e consultas fazem parte da rotina de prevenção. Se você quer entender como organizar esses custos, veja se um plano de saúde para gato vale a pena.

Perguntas frequentes

Gato que não sai de casa precisa de vacina?

Precisa. Panleucopenia, rinotraqueíte e calicivirose são consideradas vacinas essenciais para todos os gatos, e o vírus da panleucopenia pode ficar mais de um ano no ambiente. O que muda para o gato de apartamento é o intervalo dos reforços.

Qual a diferença entre a V4 e a V5 para gatos?

A V5 inclui a proteção contra a leucemia felina (FeLV), que a V4 não tem. Por isso, antes da V5 o recomendado é fazer o teste de FeLV.

Com quantas semanas o filhote de gato toma a primeira vacina?

Em geral entre 6 e 9 semanas de vida, conforme a vacina escolhida. Depois vêm novas doses a cada 2 a 4 semanas até 16 semanas ou mais.

A vacina do gato é anual?

Depende do risco. Diretrizes internacionais indicam reforços a cada 3 anos ou mais para gatos de baixo risco e até anuais para quem tem mais contato com outros gatos. No Brasil, as bulas costumam indicar reforço anual, e o veterinário define o protocolo.

Fontes

  1. 2024 Guidelines for the Vaccination of Dogs and Cats, WSAVA – World Small Animal Veterinary Association.
  2. 2020 AAHA/AAFP Feline Vaccination Guidelines, AAHA – American Animal Hospital Association / AAFP.
  3. Bula Purevax RCPCH FeLV, Boehringer Ingelheim Saúde Animal.
  4. Chlamydophila felis infection: ABCD guidelines on prevention and management, ABCD – European Advisory Board on Cat Diseases (Journal of Feline Medicine and Surgery, 2009).
  5. AAFP Feline Retrovirus Testing and Management Toolkit – Diagnosis, AAFP – American Association of Feline Practitioners.
  6. Panleucopenia felina, Manual Veterinário MSD (versão para tutores).

Conteúdo informativo. Não substitui a consulta com o médico-veterinário.

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